A advogada Regina Sampaio trabalha de segunda a sexta das sete horas da manhã às oito horas da noite. Com um dia tão atribulado, fica dificil o controle do conteúdo de TV assistido por seu Filho Lucas de 9 anos. O garoto passa a maior parte do dia com a empregada doméstica Lourdes da Silva, que além de cuidar do garoto tem que lavar, passar, cozinhar e limpar. Lucas frequenta e escola somente no período da tarde e pela manhã não sai da frente da televisão vidrado pelos seus desenhos animados preferidos. Com isso uma das grandes preocupações de Regina é a qualidade dessa programação assistida por Lucas. "Não posso ter controle do que ele vê. Pelo pouco contato que tenho com esse tipo de programação percebo a violência e imoralidade presente na maioria dos desenhos", declara a mãe admitindo sua impotência diante de algo tão atrativo.
Já para Lucas, a satisfação pelas animações é absoluta, vista pelas brincadeiras do garoto ao imitar seus heróis faviritos. "Meu predileto é o Goku do Dragon Ball Z. Seus poderes são demais e o outro sempre morre", diz com o garoto revelando seu entusiasmo com a personagem.
Porém, essa preocupação com o conteúdo assistido pelas crianças nas TVs abertas não é restrita a Regina. Milhares de pais e mães têm o mesmo tipo de preocupação. O ritmo de vida atual exige cada vez mais um distanciamento entre pais e filhos. A mulher nunca esteve tão inserida no mercado de trabalho deixando, assim, de cumprir na íntegra o papel de mãe educadora.
Daí surge a dúvida: Como resolver isso?
A mais nova proposta de solução para esse problema é o polêmico projeto de Lei (1821/03) do deputado federal Vicentinho (PT-SP) que prevê cotas obrigatórias de desenhos animados nacionais nas programações infantis das emissoras brasileiras.
De acordo com o deputado Vicentinho, "além de uma cultura estrangeira, esses desenhos introduzem, muitas vezes, temas como a violência, o egoísmo e o anti-social". O projeto de lei passará pela pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados para debater a sua viabilidade , ainda sem data marcada para a audiência.
Pelo projeto, todas as emissoras de televisão de sinal aberto e fechado devem apresentar percentuais mínimos de desenhos animados produzidos nacionalmente. As animações teriam como conteúdo uma série de características como a promoção da solidariedade e da paz; a história do Brasil e seus expoentes; heróis nacionais brasileiros e a promoção de igualdade entre brancos e negros, homens e mulheres. Em seu primeiro ano de vigência, caso o projeto vire lei, a cota de desenhos nacionais será de 10%. A partir do quinto ano, esse percentual subirá para 50%.
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
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